MPC-PR realiza o maior diagnóstico de maturidade de controle interno do Brasil realizado por um órgão do setor público

Foto: João Vitor Sarturi

Diagnóstico revela avanços e desafios do controle interno nos municípios do Paraná

O mais amplo levantamento já realizado sobre a maturidade dos sistemas de controle interno dos municípios paranaenses revelou um cenário de avanços importantes, mas também de desafios estruturais que ainda limitam a capacidade de prevenção de irregularidades, gestão de riscos e promoção da integridade na administração pública. O diagnóstico alcançou 356 municípios, permitindo uma visão abrangente da realidade do controle interno no Estado.

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Os dados apontam que o índice médio de maturidade dos municípios foi de 47,2 pontos em uma escala de 0 a 100, indicando um estágio intermediário de desenvolvimento institucional. Dos municípios avaliados, 257 foram classificados na faixa de maturidade média, 89 apresentaram nível baixo e apenas 10 alcançaram o nível alto. [

Entre os aspectos mais consolidados, destaca-se a existência de Unidade Central de Controle Interno (UCCI), presente em 93,8% dos municípios. Além disso, todos os participantes informaram possuir Portal da Transparência, evidenciando que a transparência pública já se tornou uma prática institucionalizada no Paraná.

A categoria com melhor desempenho foi justamente a Estrutura da UCCI, com média de 71,6 pontos. A Transparência e Participação também alcançou resultado expressivo, com 63,7 pontos. Os números demonstram que os municípios vêm investindo na criação de estruturas formais de controle e na disponibilização de informações ao cidadão.

Entretanto, o diagnóstico evidencia fragilidades relevantes em áreas estratégicas. A dimensão Integridade e Ética registrou média de apenas 27,4 pontos. Apenas 31,2% dos municípios possuem Código de Ética e somente 5,3% contam com Programa Próprio de Integridade.

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Os dados mostram ainda que somente 10,7% regulamentaram conflitos de interesses e apenas 21,9% possuem regulamentação da Lei Anticorrupção. Esses indicadores demonstram que a institucionalização da cultura de integridade ainda não acompanha a evolução observada em áreas como transparência e estrutura organizacional.

Outro ponto de atenção refere-se aos recursos humanos. A categoria Carreira e RH obteve a menor média do levantamento, com apenas 15,9 pontos. Apenas 20,2% dos municípios possuem carreira específica para servidores de controle interno e somente 2,8% possuem autorização para novos concursos destinados à área.

A limitação de pessoal aparece de forma ainda mais evidente quando se observa que 71,3% das UCCIs funcionam com apenas um servidor. Tal cenário compromete a capacidade operacional dos órgãos de controle e dificulta a ampliação de suas atividades estratégicas.

Na área de gestão de riscos, considerada uma das práticas mais modernas de governança pública, os resultados também revelam espaço para evolução. Apenas 21,6% das UCCIs possuem política de gestão de riscos e somente 44,4% realizam planejamento anual de auditorias baseado em riscos.

Embora 66,3% dos municípios informem possuir planejamento anual de auditorias, menos da metade utiliza metodologias que permitam direcionar os esforços para áreas mais vulneráveis e de maior impacto para a sociedade.

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A pesquisa também revela baixa adoção de referenciais internacionais. Apenas 21,1% dos municípios afirmam utilizar alguma metodologia reconhecida internacionalmente, como COSO, INTOSAI ou IA-CM. Entre aqueles que utilizam o IA-CM, a maioria permanece nos níveis iniciais de maturidade.

Em contrapartida, alguns indicadores demonstram elevado potencial de fortalecimento do sistema de controle interno municipal. Mais de 77% das UCCIs acompanham a execução de políticas públicas e 67,7% atuam na apuração de possíveis fraudes e desvios, evidenciando participação crescente na governança das administrações municipais.

O levantamento também mostra que 96,1% dos municípios possuem canais para recebimento de denúncias, reclamações e sugestões dos cidadãos, fortalecendo mecanismos de controle social e participação popular.
Para a Diretora-Geral do Ministério Público de Contas do Paraná, Barbara Krysttal Motta Almeida Reis, os números representam uma oportunidade histórica de aperfeiçoamento da gestão pública municipal.

O diagnóstico demonstra que os municípios paranaenses avançaram significativamente na institucionalização do controle interno e da transparência. Ao mesmo tempo, revela desafios importantes relacionados à integridade, gestão de riscos e profissionalização das estruturas de controle. Conhecer essa realidade é o primeiro passo para construir políticas públicas mais eficientes, fortalecer a prevenção da corrupção e gerar melhores resultados para a sociedade.

Diretora-Geral do Ministério Público de Contas do Paraná, Barbara Krysttal Motta Almeida Reis (Foto: Reprodução)

A análise dos resultados indica que o Paraná já possui uma base sólida sobre a qual pode construir sistemas de controle interno mais modernos, preventivos e orientados a resultados. A elevada presença das UCCIs e dos portais de transparência demonstra maturidade institucional inicial. Por outro lado, a ausência de programas de integridade, de políticas de gestão de riscos e de carreiras estruturadas evidencia a necessidade de investimentos em governança e profissionalização.

O diagnóstico se consolida como uma importante ferramenta de planejamento para gestores, controladores e órgãos de fiscalização, permitindo que as futuras ações de capacitação e desenvolvimento sejam direcionadas aos pontos de maior fragilidade identificados no levantamento.