
A escalada do conflito envolvendo o Irã já começa a gerar reflexos na economia global. Além da alta da gasolina, especialistas alertam que a guerra pode provocar aumento de preços em diversos setores, especialmente no transporte de mercadorias e em produtos básicos.
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Desde que Estados Unidos e Israel atacaram alvos iranianos, o preço internacional do petróleo e do gás natural registrou forte alta, o que impacta diretamente o custo do transporte em todo o mundo.
Com o combustível mais caro, empresas que movimentam cargas por caminhões, aviões, trens e navios passam a gastar mais para transportar produtos. Esse aumento tende a ser repassado ao consumidor final.
Segundo o economista Brian Bethune, professor do Boston College, se os preços elevados do petróleo permanecerem por um período prolongado, o impacto pode gerar um novo choque de custos na economia.
“Se observarmos a persistência desses preços mais altos por um período de tempo, veremos um choque de custos contínuo”, afirmou.
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Liberação histórica de reservas de petróleo
Diante da pressão sobre o mercado de energia, os países da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiram liberar 400 milhões de barris de petróleo no mercado global — a maior liberação emergencial de reservas da história.
A medida busca ampliar a oferta e conter a alta dos preços provocada pela guerra no Oriente Médio.
Mesmo assim, a AIE alertou que o mundo enfrenta atualmente a maior interrupção no fornecimento de petróleo já registrada, com previsão de queda de 8 milhões de barris por dia na oferta global.
Frete mais caro
O aumento do diesel já começa a pressionar o custo do frete. Empresas de logística costumam aplicar sobretaxas de combustível quando o preço do diesel sobe.
Nos Estados Unidos, por exemplo, transportadoras como a FedEx ajustam automaticamente as tarifas quando o combustível ultrapassa determinados valores.
Segundo dados da Administração de Informação Energética dos EUA, o preço do diesel chegou a US$ 4,86 por galão, quase US$ 1 a mais em apenas uma semana, o que deve elevar as taxas de transporte nos próximos dias.
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Impacto no supermercado
Para o consumidor, um dos primeiros locais onde os efeitos devem aparecer é no supermercado.
De acordo com a especialista Deborah Weinswig, CEO da Coresight Research, produtos perecíveis como frutas, verduras, carnes e laticínios tendem a sentir o impacto mais rapidamente, já que não podem ser estocados por muito tempo.
Já em outros setores, o aumento pode demorar um pouco mais para chegar às prateleiras, pois muitas empresas ainda possuem estoques formados anteriormente.
Estratégias das empresas
Para lidar com custos maiores, empresas podem buscar alternativas semelhantes às adotadas durante a Guerra da Rússia e Ucrânia, iniciada em 2022.
Na época, muitas marcas reduziram o tamanho das embalagens, mantendo o mesmo preço — prática conhecida como “redução de tamanho”, que na prática representa um aumento indireto para o consumidor.
Especialistas alertam que, se os custos continuarem subindo e o consumo cair, algumas empresas podem recorrer a medidas mais duras, como cortes de despesas e até demissões, para manter o equilíbrio financeiro.