
(Foto: Reprodução)
Há 94 anos, o Brasil vivia um dos marcos mais importantes de sua história democrática: a conquista do direito ao voto para as mulheres. Instituído pelo Decreto nº 21.076 de 24 de fevereiro de 1932, o primeiro Código Eleitoral brasileiro estabeleceu, pela primeira vez, que mulheres maiores de 21 anos poderiam se alistar e exercer o voto, abrindo caminho para sua participação política no país.
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A data — que coincide com o aniversário da Justiça Eleitoral, criada naquele mesmo ato legal — é hoje celebrada como o Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil e simboliza quase um século de lutas, avanços e desafios na busca por igualdade plena nas arenas de poder político.
Um marco histórico com limitações iniciais
Embora o Código Eleitoral de 1932 tenha sido um avanço significativo, o direito conquistado não foi imediatamente universal: inicialmente o voto feminino era facultativo e sujeito a restrições, como a exigência de atividade remunerada, e só na Constituição de 1946 tornou-se obrigatório para todos os eleitores, homens e mulheres.
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Antes mesmo dessa conquista nacional, mulheres pioneiras já desafiavam barreiras institucionais. Em 1928, Celina Guimarães Viana foi a primeira mulher a votar legalmente no Brasil, em Mossoró (RN), depois que uma lei estadual eliminou a distinção de sexo para fins eleitorais no Rio Grande do Norte.

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Avanços — e o longo caminho até a plena representatividade
Hoje, as mulheres representam a maioria do eleitorado brasileiro, com mais de 53% dos eleitores alistados, mas esse peso nas urnas ainda não se reflete nas cadeiras de poder.
Especialistas e movimentos sociais ressaltam que, apesar das conquistas legais, a representatividade feminina em cargos eletivos continua baixa, e desafios como desigualdade de gênero nos partidos, barreiras socioeconômicas e violência política ainda limitam a participação plena das mulheres na política — especialmente entre mulheres negras, indígenas e LGBTQIA+.
Em um cenário político cada vez mais polarizado, vozes de diferentes gerações defendem que recordar a conquista do voto feminino é também um chamado à ação.
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Olhar para o futuro
No Brasil de 2026, a data dos 94 anos da conquista do voto feminino se transforma em um momento de reflexão sobre o quanto já foi alcançado — e quanto ainda falta para que as mulheres ocupem de fato espaços paritários de liderança, influência e decisão no poder político. Especialistas apontam que avanços legais, educação política e políticas afirmativas continuam sendo instrumentos essenciais para consolidar a igualdade de gênero na democracia brasileira.