SP testa divisão de turmas por nível de aprendizagem em 147 escolas estaduais

Foto: Reprodução/Jéssica Bernardo

O governo de São Paulo iniciou, neste ano, um projeto piloto que separa alunos de uma mesma série em turmas de acordo com o nível de aprendizagem. Batizada de Projeto Voar, a iniciativa da Secretaria Estadual da Educação (Seduc) pretende reduzir a defasagem entre a série cursada e o conhecimento efetivo dos estudantes, problema considerado crítico na rede estadual.

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O programa já está em funcionamento em 147 escolas e deve ser acompanhado por pesquisadores da Universidade de Harvard, que vão avaliar os resultados ao longo do ano. A proposta é inspirada na metodologia internacional “Teaching at the Right Level” (Ensino no Nível Adequado), aplicada em países como a Índia, onde o agrupamento por proficiência é utilizado para recuperar aprendizagens básicas.

Segundo a Seduc, o objetivo é permitir que professores adaptem o ritmo das aulas conforme o nível dos estudantes. A divisão foi feita com base no desempenho em Língua Portuguesa e Matemática no Saresp de 2025. Assim, os alunos foram organizados em “turmas nível padrão”, com aprendizagem dentro do esperado, e “turmas nível adaptado”, para aqueles com defasagens médias ou altas.

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De acordo com Mauro Romano, responsável pelo projeto na secretaria, a heterogeneidade nas salas de aula tem dificultado o trabalho docente. “Um professor do 9º ano encontra estudantes com necessidades muito diferentes. Em 50 minutos, é quase impossível atender adequadamente um grupo tão diverso”, afirmou. Em alguns casos, há alunos com até três anos de atraso no nível de aprendizagem.

O subsecretário pedagógico da Educação, Daniel Barros, explica que o conteúdo será o mesmo para todas as turmas, mas com ritmos diferentes. “É o mesmo currículo. O que muda é o tempo para cobrir esse conteúdo, de acordo com o nível de proficiência dos estudantes”, disse. A expectativa é que, ao recuperar déficits, os alunos possam retornar às turmas regulares ao longo do ano.

O projeto foi implementado em escolas com maior distorção série-aprendizagem, em municípios da Grande São Paulo, interior e litoral, como Osasco, São José dos Campos e Santos, além de unidades da zona sul da capital.

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A secretaria reconhece o risco de estigmatização dos alunos em turmas de nível adaptado, mas afirma que as escolas serão orientadas a evitar rótulos e promover a recomposição das aprendizagens. Segundo a pasta, estudantes com defasagem já enfrentam dificuldades e desengajamento no modelo tradicional.

Dados da própria rede indicam que a maior defasagem está no 9º ano, em que cerca de 85% dos alunos apresentam nível de aprendizagem abaixo do esperado. No 6º ano, aproximadamente metade dos estudantes teria déficit médio ou alto.

O desempenho dos participantes será monitorado por meio de avaliações ao longo de 2026, com aplicações previstas entre junho e agosto e uma última em novembro. Os resultados serão enviados a pesquisadores de Harvard, que acompanharão o projeto. Ao final do piloto, o governo estadual deve decidir se amplia ou não o modelo para outras escolas.