
(Foto: Tuane Fernandes/Reprodução)
Manifestações em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e outras cidades marcaram um dia de mobilização nacional contra o avanço dos casos de feminicídio no país. Organizados pelo movimento Levante Mulheres Vivas, os atos ocorreram neste domingo (7) em pelo menos 20 estados e no Distrito Federal, reunindo multidões que exigiram ações mais contundentes do poder público para enfrentar a violência de gênero.
Segundo organizações de pesquisa e segurança, o Brasil ultrapassou mil casos de feminicídio em 2025, evidenciando uma escalada que preocupa autoridades e movimentos sociais. Somente no Distrito Federal, foram 26 mortes registradas neste ano — número reforçado pelo assassinato da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, morta dentro de um quartel na última sexta-feira (5).
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Ato em São Paulo reúne mais de 9 mil pessoas na Avenida Paulista
Na capital paulista, o protesto foi um dos maiores do país. De acordo com levantamento do Monitor do Debate Político do Cebrap em parceria com a USP, cerca de 9,2 mil pessoas ocuparam a Avenida Paulista a partir do meio-dia.
Munidos de cartazes com frases como “Mulheres Vivas” e “Nenhuma a menos”, manifestantes caminharam pela região central pedindo justiça e políticas públicas mais eficazes. O ato também homenageou Daniele Guedes Antunes, farmacêutica assassinada em Santo André, e Milena de Silva Lima, morta em Diadema — ambas vítimas de ex-companheiros.
“Todas merecem dignidade. Nenhuma mulher será esquecida”, afirmou a deputada federal Erika Hilton durante o protesto.
Copacabana leva às ruas números alarmantes do Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, centenas de pessoas se reuniram na Avenida Atlântica, em Copacabana. O estado contabilizou 79 feminicídios e 242 tentativas até novembro, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP).
Entre os casos recentes que motivaram o ato está o ataque à Aline Nascimento, esfaqueada pelo ex-companheiro, que já havia sido denunciado por tentativa de feminicídio.
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Brasília protesta após assassinato dentro de quartel
Na Torre de TV, em Brasília, dezenas de mulheres denunciaram a violência estrutural e lembraram as vítimas de 2025. O Distrito Federal registrou 26 feminicídios neste ano, incluindo o brutal assassinato da cabo Maria de Lourdes, que comoveu o país.
Organizações distribuíram informações sobre medidas protetivas e canais de denúncia.
Atos também movimentam SC, MG, PB, PE, PI e Campinas
- Florianópolis (SC): caminhada saiu da Ponte Hercílio Luz e homenageou Catarina Kasten, professora assassinada em novembro.
- Belo Horizonte (MG): manifestações no Centro cobraram justiça e reforçaram o mote nacional Mulheres Vivas.
- João Pessoa (PB): famílias e grupos feministas reuniram-se no Busto de Tamandaré pedindo ações mais eficazes do Estado.
- Recife (PE): cerca de 5 mil pessoas caminharam até o Marco Zero, impactadas pelo recente assassinato de Isabele Gomes de Macedo e seus quatro filhos.
- Piauí (PI): atos em Teresina e Parnaíba homenagearam a estudante Janaína Bezerra e denunciaram a crescente violência.
- Campinas (SP): manifestação foi marcada pelo assassinato de um casal, ocorrido no dia anterior.
Direito a medidas protetivas: como funciona
Especialistas reforçaram que a mulher não precisa esperar uma agressão física para solicitar proteção judicial. Comportamentos como perseguição, ciúme excessivo e controle financeiro já justificam o pedido.
A solicitação pode ser feita:
- em delegacias da Polícia Civil;
- nas Delegacias da Mulher;
- pelo site da Delegacia Eletrônica;
- pelo telefone 197.
Após o registro, o pedido é encaminhado ao Judiciário, que deve decidir em até 48 horas. Descumprir a medida protetiva é crime.