Educação financeira é aliada na prevenção ao vício em apostas on-line

O crescimento das casas de apostas atingem a saúde mental e financeira de milhões de pessoas (Foto: Reprodução)

O crescimento das casas de apostas e a popularização dos jogos on-line acenderam um alerta no Brasil para problemas que vão além do entretenimento e já atingem a saúde mental e financeira de milhões de pessoas. Em 2025, o tema esteve entre os mais debatidos no país, impulsionado pelo fácil acesso às plataformas digitais e pelo aumento de casos de endividamento e dependência.

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Dados da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) indicam que cerca de 11 milhões de brasileiros com mais de 14 anos enfrentam dificuldades emocionais, familiares e profissionais relacionadas aos jogos de azar. Especialistas apontam que o vício em apostas está diretamente ligado à forma como cada indivíduo se relaciona com o dinheiro, envolvendo crenças, experiências pessoais e fatores emocionais.

Entre os principais sinais de alerta estão a preocupação excessiva com apostas, a perda de controle sobre o tempo e o dinheiro gastos, a tentativa constante de recuperar prejuízos, além do impacto negativo no trabalho, nos estudos e nas relações pessoais. Também são comuns comportamentos de ocultamento, como mentir sobre valores apostados, esconder extratos bancários e sentir culpa ou vergonha, bem como a necessidade de apostas cada vez maiores para obter a mesma sensação de excitação.

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O ciclo do vício costuma envolver ansiedade antes da aposta, sensação ilusória de controle durante o jogo e frustração ou culpa após as perdas, o que reforça a repetição do comportamento. As consequências afetam diretamente os vínculos familiares e o desempenho profissional, tornando o problema uma questão de saúde pública.

O enfrentamento da dependência passa por acompanhamento psicológico, individual ou em grupo, além de medidas práticas como o afastamento das plataformas de apostas. Entre as alternativas estão a exclusão de aplicativos e o cadastro em sistemas governamentais que permitem o bloqueio do acesso a casas de apostas mediante o CPF, aliado a ações de conscientização.

Especialistas também destacam a educação financeira como estratégia fundamental de prevenção, especialmente quando iniciada na infância. Atualmente, o Brasil soma 80,4 milhões de pessoas endividadas, segundo dados do Serasa, reflexo da falta de orientação financeira ao longo da vida.

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Com foco na prevenção, iniciativas voltadas a crianças e adolescentes ganham espaço. Um exemplo é a atuação de startups que utilizam a gamificação para ensinar conceitos como poupança, investimentos e planejamento financeiro. Por meio de jogos físicos e aplicativos instalados em totens que simulam caixas eletrônicos e tablets, essas metodologias buscam preparar os jovens para uma relação mais saudável com o dinheiro e afastá-los, desde cedo, dos riscos associados aos jogos de azar.