CNI lança guia para ajudar empresas a adequarem sua produção para o modelo
A economia circular vem se consolidando como uma abordagem estratégica para enfrentar desafios ambientais e promover desenvolvimento sustentável em municípios e áreas urbanas. Ao priorizar a reutilização de recursos, a eliminação de resíduos e o uso eficiente de materiais, esse modelo econômico apresenta oportunidades significativas para transformar cidades em espaços mais resilientes e sustentáveis.
Recentemente, em meados de outubro, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), lançou o guia “Economia Circular na Prática: Guia de Implementação Segundo a Série ABNT NBR ISO 59000”.
Este documento oferece um passo a passo para que as indústrias estabeleçam metas e estratégias circulares, além de diretrizes para mensuração de desempenho e avaliação de resultados. A iniciativa reflete o esforço crescente do setor industrial em alinhar práticas econômicas às necessidades ambientais, beneficiando diretamente os municípios onde essas indústrias operam.
Desafios e potencialidades para os municípios
Atualmente, as cidades concentram mais de 55% da população mundial e consomem cerca de dois terços da energia global. No Brasil, os municípios urbanos abrigam mais de 80% da população, com expectativa de aumento para 90% até 2030.
Esses dados evidenciam a importância das áreas urbanas na transição para a economia circular. Como os maiores centros consumidores e produtores de resíduos, as cidades têm um papel central na redução de emissões de gases de efeito estufa, no reaproveitamento de recursos e na gestão de resíduos.
No Estado de São Paulo, o governo tem reforçado incentivos para projetos de economia circular, alinhados com metas de sustentabilidade como a neutralização das emissões de carbono até 2050. A InvestSP, agência vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado, desenvolve iniciativas estratégicas nas áreas de transição energética e adensamento de cadeias produtivas. Entre as ações, destacam-se o apoio à cadeia do biometano e do hidrogênio, além de articulações para integrar projetos empresariais e públicos por meio da plataforma Conecta Biometano SP.
De acordo com a coordenadora de Economia Circular da InvestSP, Natália Biesiada: “para atingir a meta do Estado de neutralizar as emissões de carbono até 2050, é necessário acelerar a transição para uma economia mais sustentável, com melhor gestão e aproveitamento dos resíduos, aumento da reciclagem e uma menor dependência de matéria-prima virgem no processo produtivo”.
Instrumentos e estratégias
A Estratégia Nacional de Economia Circular (Enec), lançada em 2023, é um marco no Brasil. Alinhada à Nova Indústria Brasil (NIB), a iniciativa visa criar um ambiente normativo que fomente a inovação e a educação voltadas à economia circular. A transição de um modelo linear para um modelo circular exige o redesenho de processos produtivos, garantindo lucro e minimizando impactos ambientais.
Entre as ferramentas desenvolvidas para apoiar essa transição, a CNI lançou a Rota de Maturidade, uma plataforma gratuita que permite às empresas avaliarem seu nível de circularidade e identificarem oportunidades de melhoria.
Além disso, normas técnicas como a ABNT NBR ISO 59000, adotadas no Brasil com a liderança da CNI, FIESP e FIRJAN, fornecem uma estrutura técnica para orientar empresas e governos na implementação de estratégias circulares.
Impactos no desenvolvimento urbano
A economia circular também encontra aplicação direta no planejamento urbano. A abordagem considera o conceito de metabolismo urbano, onde cidades passam a operar como sistemas que maximizam a reutilização de materiais e energia, minimizando emissões e desperdícios. Essa visão permite a criação de espaços urbanos regenerativos, integrados à natureza e mais preparados para desafios econômicos e ambientais.
Modelos circulares podem reduzir custos operacionais de gestão de resíduos nos municípios, atrair investimentos e estimular a criação de empregos verdes. Além disso, contribuem para a eficiência energética e para o cumprimento das metas de desenvolvimento sustentável (ODS), oferecendo alternativas práticas para o crescimento urbano sustentável.