Do campo para o mundo: encontro paulista reforça protagonismo feminino no agronegócio

Semeadoras do Agro reúnem mais de 3,3 mil participantes e sonham com expansão nacional

O agronegócio brasileiro, responsável por cerca de um quarto do PIB nacional, viveu um momento histórico em Ribeirão Preto.
O 3º Encontro Estadual de Mulheres do Agro, promovido pela Comissão Semeadoras do Agro ,
da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), reuniu mais de 3,3 mil participantes no final de agosto. O número expressivo não apenas reforça a relevância do movimento, mas também mostra como as mulheres vêm conquistando espaço e liderança no setor.

O destaque desta edição foi a amplitude nacional do encontro, com a presença de representantes de estados como Ceará e Goiás. Essa participação interestadual trouxe ainda mais visibilidade ao papel das mulheres do campo, confirmando que a iniciativa paulista já extrapolou fronteiras e inspira a criação de um Encontro Nacional de Mulheres do Agro já no próximo ano, conforme defendido por autoridades presentes.

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O protagonismo das Semeadoras do Agro Criado pela Faesp, em parceria com os sindicatos rurais e o
Senar-SP, o movimento Semeadoras do Agro nasceu com a missão de dar visibilidade às mulheres que sempre estiveram no campo, mas historicamente foram invisibilizadas. Hoje, o projeto está presente nos 645 municípios paulistas e ganha força ao oferecer capacitação, incentivo ao empreendedorismo e apoio à autonomia financeira.

A presidente da Comissão Semeadoras do Agro, Juliana Farah, destaca a importância histórica do encontro e a consolidação de São Paulo como referência nacional. “Foi um sucesso. Foi o ápice do ápice dos encontros estaduais das Mulheres do Agro do estado de São Paulo. Um encontro que é referência a todo o Brasil, porque São Paulo vem se consolidando com esse trabalho que a gente vem fazendo através dos nossos sindicatos rurais do estado de São Paulo, onde nós chegamos aos 645 municípios”.

Juliana Farah destacou que São Paulo se tornou referência nacional no fortalecimento das mulheres do campo

Ela também ressalta o caráter social do movimento: “para virar uma política pública no nosso país, a gente precisa da união de todas as entidades e instituições, falando e trabalhando pelo mesmo foco, que é trazer a mulher do campo para visibilidade e levando para essas mulheres a capacitação e a autonomia financeira, resgatando a autoestima dessa mulher e mostrando que ela pode, que ela é capaz”.

Ou seja, a mensagem central é clara: as mulheres do campo não apenas produzem, mas lideram e transformam.

Empreendedorismo feminino

Durante todo o encontro, ficou evidente que o empreendedorismo feminino no campo é uma das maiores forças de transformação social e econômica do Brasil atual. Mulheres que antes ocupavam papéis invisíveis passaram a ser protagonistas na gestão de propriedades, na produção agrícola e na agroindústria.

Além disso, o impacto das mulheres no agro brasileiro já é mensurável. Segundo dados apresentados no evento, 1,7 milhão de propriedades rurais estão sob administração feminina, somando 30 milhões de hectares. Esses números reforçam que a presença das mulheres não é pontual ou simbólica, mas sim estratégica para o futuro do setor.

Por fim, além da dimensão econômica, há também um ganho social: a renda gerada pelas mulheres amplia o acesso das famílias à saúde, à educação e a melhores condições de vida, ao mesmo tempo em que fortalece a coesão comunitária.

Dimensão nacional

O evento foi palco de debates sobre políticas públicas, empreendedorismo e o futuro do agro sob a perspectiva feminina. Autoridades presentes como o presidente da Faesp, Tirso
Meirelles, e o diretor técnico do Sebrae-SP, Marco Vinholi, ressaltaram a importância de se ampliar a atuação das Semeadoras para outros estados.

A relevância também foi reconhecida por lideranças nacionais, como a presidente da Comissão Nacional de Mulheres do Agro da CNA, Stéphanie Ferreira, que destacou o trabalho motivador das Semeadoras, e pela deputada federal Rosana Valle, que reforçou a necessidade de políticas públicas para impulsionar o empreendedorismo feminino rural.