
(Foto: Reprodução)
O Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher, celebrado em 25 de novembro, reacende a atenção global para uma das mais graves violações de direitos humanos. Criada pela ONU em 1999, a data homenageia as irmãs dominicanas Patria, Minerva e Maria Teresa Mirabal, assassinadas em 1960 pela ditadura de Rafael Trujillo — crime que se tornou símbolo da resistência feminina e motivou a instituição da campanha mundial “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência de Gênero”.
Cenário mundial permanece crítico
Relatórios mais recentes da ONU revelam que cerca de 89 mil mulheres foram vítimas de feminicídio no mundo em 2022, sendo 55% mortas por parceiros íntimos ou familiares. Em média, a cada dia, 140 mulheres e meninas são assassinadas por alguém próximo. O órgão também alerta para o crescimento de casos subnotificados, especialmente em regiões marcadas por conflitos, desigualdade social e falta de políticas de proteção.
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Um estudo global aponta que 57% das mulheres relatam ter sofrido pelo menos um tipo de violência (física, sexual ou psicológica) ao longo da vida. A violência digital também cresce: uma em cada cinco mulheres jovens afirma já ter sido vítima de perseguição ou ameaça online.
Brasil registra 1.450 feminicídios e quase 72 mil estupros
No Brasil, a situação é igualmente grave. O Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (RASEAM 2025) mostra que:
- 1.450 feminicídios foram registrados em 2024 — uma média de quatro por dia.
- O número representa 12 casos a mais que em 2023.
- O país registrou 71.892 estupros em 2024, equivalendo a 196 casos diários.
- 71,6% das notificações de violência contra mulheres aconteceram dentro da residência da vítima, reforçando o ambiente doméstico como o mais perigoso.
- 76,6% dos agressores identificados são homens.
- Mulheres pretas e pardas representam 60,4% das vítimas, evidenciando desigualdades raciais e socioeconômicas.
- A violência psicológica é a mais recorrente, somando 32,6% dos registros, seguida pela física, com 29,7%.
Além disso, levantamentos independentes apontam que mais de 40% das mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência em 2024 — índice mais alto desde 2017.
Violência digital e perseguição crescem entre brasileiras
A violência digital teve aumento expressivo nos últimos anos. Estima-se que:
- 28% das mulheres entre 16 e 29 anos já sofreram ameaças, chantagens com imagens íntimas ou perseguição online.
- Plataformas como redes sociais e aplicativos de mensagens se tornaram ambientes de risco, especialmente para mulheres públicas ou com grande visibilidade profissional.
Especialistas alertam para ciclo de subnotificação
Apesar dos números alarmantes, especialistas afirmam que os registros representam apenas parte da realidade. A ONU estima que apenas 10% a 20% dos casos de violência sexual são de fato notificados às autoridades. Fatores como medo do agressor, dependência econômica e descrença no sistema de justiça dificultam denúncias.
Rede de proteção ainda é insuficiente
O Brasil possui instrumentos legais importantes, como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio desde 2015, mas especialistas destacam que:
- Há déficit de delegacias especializadas, especialmente no interior.
- Muitas cidades não oferecem casa-abrigo, deixando vítimas sem alternativa segura.
- Medidas protetivas ainda apresentam falhas na execução — em 2024, mais de 19 mil mulheres relataram violação de medida protetiva.
A importância da denúncia
No Brasil, canais de apoio seguem ativos 24 horas:
- Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher.
- 190 – Emergências.
- App “Direitos Humanos BR” – para denúncias com possibilidade de anonimato.
A campanha dos 16 Dias de Ativismo reforça a necessidade de ampliá-los e divulgar esses serviços, especialmente em comunidades vulneráveis.
Um chamado à ação
Organizações internacionais, governos e especialistas concordam: a violência contra a mulher é uma epidemia silenciosa que exige resposta imediata.
A data de 25 de novembro destaca não apenas estatísticas, mas vidas interrompidas, famílias afetadas e a urgência de investimentos em prevenção, educação, proteção e responsabilização dos agressores. O enfrentamento à violência de gênero depende de medidas contínuas — do poder público, das instituições e da sociedade.